Um projeto de extensão da Universidade Federal do Piauí (UFPI) vai investigar como a comunidade percebe o conforto térmico no Campus Ministro Petrônio Portella, em Teresina. A iniciativa tem duração prevista de 24 meses.
Segundo a UFPI, a pesquisa surgiu da necessidade de compreender como as condições térmicas da capital piauiense afetam o cotidiano universitário. A cidade registra temperaturas elevadas ao longo do ano, especialmente no período conhecido como B-R-O Bró, de setembro a dezembro.
O levantamento envolve estudantes, docentes, servidores técnico-administrativos, trabalhadores terceirizados, visitantes e outros usuários do campus. Coordenado pela professora Daniele Torres Rodrigues, do curso de Estatística, o projeto prevê atividades em diferentes espaços e períodos.

A proposta relaciona a percepção das pessoas às condições meteorológicas observadas na universidade. A UFPI informa que os dados poderão subsidiar um diagnóstico sobre o conforto térmico e apoiar o planejamento de melhorias nos ambientes do campus.
Projeto investiga a percepção térmica no campus
O projeto de extensão “Percepção do conforto térmico no Campus Ministro Petrônio Portella da UFPI” busca identificar como as condições dos ambientes são sentidas por quem os utiliza. A investigação considera possíveis diferenças entre locais, horários do dia e períodos do ano.
Segundo a coordenadora Daniele Torres Rodrigues, áreas com mais arborização, sombra e ventilação podem oferecer condições térmicas distintas das encontradas em outros espaços. As características das construções também são consideradas na análise.
A avaliação não se limita às condições físicas: a professora explica que o conforto térmico depende também da percepção de cada pessoa. O estudo pretende relacionar essas impressões às características dos espaços universitários.
Com o uso da Estatística e da Ciência de Dados, a pesquisa pretende reunir informações sobre o conforto térmico na UFPI e a experiência da comunidade nos ambientes do campus. A proposta, conforme Daniele, é produzir dados que possam embasar melhorias nas condições térmicas desses locais.
Coleta reúne questionários e variáveis meteorológicas
De acordo com a UFPI, os questionários serão aplicados em novembro para registrar como os usuários avaliam os espaços que frequentam. A coleta também incluirá medições meteorológicas em diferentes pontos do Campus Ministro Petrônio Portella.
Entre as variáveis observadas estão a temperatura do ar, a umidade relativa e a velocidade do vento. A análise conjunta desses registros e das respostas permitirá examinar como as condições meteorológicas se relacionam com a sensação térmica relatada.
As atividades estão previstas para diferentes horários e períodos do ano, com comparação entre as estações seca e chuvosa e atenção especial ao B-R-O Bró. Essa distribuição busca identificar variações na percepção térmica conforme o momento e o ambiente avaliados.
Daniele Rodrigues afirma que os grupos que utilizam a universidade têm rotinas distintas, o que influencia a maneira como ocupam os espaços. Relacionar essas percepções às medições poderá ajudar a reconhecer padrões e fatores associados ao conforto no campus.
Resultados esperados incluem diagnóstico e formação de estudantes
Ao término dos 24 meses de atividades, a equipe espera elaborar um diagnóstico do conforto térmico no Campus Ministro Petrônio Portella. A análise deverá indicar em quais locais, horários e períodos do ano os usuários relatam maior ou menor desconforto.
O estudo também examinará a relação entre a percepção da comunidade universitária e a temperatura do ar, a umidade relativa e a velocidade do vento. Segundo a coordenadora, os dados poderão subsidiar o planejamento de melhorias nos espaços da UFPI.
Entre as possibilidades consideradas pela pesquisa estão ampliar a arborização e as áreas verdes, criar áreas sombreadas, instalar ventiladores e aprimorar a ventilação e a infraestrutura de ambientes de convivência, estudo e circulação. A intenção é identificar locais que precisam de mais atenção, sem antecipar quais intervenções serão adotadas.
O estudante de Estatística Anderson Nogueira Bezerra, participante do projeto, afirma que as altas temperaturas podem afetar o conforto e a qualidade do aprendizado, além de causar cansaço mental. Ele relata que a pesquisa o levou a observar características dos espaços, como a abertura das áreas e a presença de vegetação.
Anderson também espera adquirir experiência no planejamento de pesquisas e na análise das informações coletadas. A participação dos estudantes inclui etapas como coleta, organização e análise estatística dos dados, além da divulgação dos resultados.


